Os portugueses, por norma, “vivem” na cozinha, pois é na cozinha que se tomam as grandes decisões familiares e se partilham as refeições. As gerações mais antigas, isto é, das nossas avós e mães, ainda defendem que as mulheres devem saber cozinhar, valorizando o papel feminino neste espaço, embora, muitas vezes por razões que não são “politicamente” corretas.
Saber cozinhar é ótimo para todas as idades e sexos, pois não há nada melhor para a saúde que a comida caseira, saborosa e que nos aconchega a alma, promovendo uma certa felicidade individual quando se partilha com cuidado e amor.
Mesmo com a azafama do dia a dia, a ideia de planear as refeições da semana, preparar as refeições na hora ou para levar para o trabalho, embora cansativo, pode ser agradável, confortável, interessante e muito saudável. Lembre-se que a comida que faz bem à disposição e à pele não aparece em embalagens, repleta de conservantes e vazia em nutrientes.
Quando descascamos, misturamos e cozinhamos, sabemos o que estamos dar ao corpo. Ainda que lidemos com muitas outras questões inerentes aos produtos agroalimentares, como os químicos, pesticidas e afins, cozinhar ainda garante um cuidado mais genuíno com a própria saúde e menor dependência de um sistema que cria cada vez mais padrões de consumo inviáveis e insustentáveis do ponto de vista social, económico e ambiental.
Tudo isto é realmente transformador. Aprender a cozinhar e fazê-lo com os que amamos é uma experiência que nos muda. E como aprender a cozinhar?
Um programa de culinária na TV ou um canal do YouTube pode proporcionar-nos inspiração e criar vontade. Devemos, por isso, aproveitá-los para dar início a uma prática responsável pela melhoria da qualidade de vida.
Quando cuidamos do lado mais artesanal da vida, temos consciência do impacto real das nossas escolhas, pois não é possível continuar a ir a supermercados e mercados sem pensar na questão ambiental, no uso integral dos alimentos e na redução do lixo que todos os dias produzimos. Caso contrário, ainda que cozinhemos todos os dias, fá-lo-emos de forma mecânica, inconsciente e sem um propósito de transformação e criação de hábitos realmente saudáveis.
Encare a cozinha como uma escola para a reeducação do consumo e a compaixão quando opta, por exemplo, por alimentos de origem não animal. Afinal, já não se sabe a que práticas são submetidos os animais diariamente para satisfazer diversos paladares e padrões de consumo alimentar.
Compreender a preparação da comida caseira põe-nos diante do nosso potencial criativo e isso é muito motivador. Sem contar que cozinhar permite poupar, desperta-nos competências e refina o paladar e a sensação de estar a fazer uma boa alimentação. Além de que cozinhar também é lugar de memórias afetivas, o que é um ingrediente certeiro para o êxito de qualquer receita, mesmo que no início um ovo estrelado pareça um pneu queimado.
Ao procurar informações sobre reutilizar, reciclar, reduzir e repensar o consumo e mudar hábitos o ato cozinhar garante uma boa parte da mudança porque estes 4R começam na cozinha, principalmente quando tomar a decisão de aprender a cozinhar ou simplesmente cozinhar mais…
Então, já se decidiu? Vai aprender a cozinhar em 2022?
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