Conseguem viver nos mares mais profundos e nas montanhas mais geladas

Os invencíveis tardígrados vieram para ficar

Estes animais microscópicos podem sobreviver em condições extremas e no espaço
| EcosS
2 min.

Créditos & Fonte de pesquisa:

Unsplash | Scientific Reports

Aparentados com Artrópodes (insetos, crustáceos, aracnídeos, etc.) estes seres microscópicos (0,05 a 1,5 mm) constituem um filo independente com mais de 1.000 espécies conhecidas, e o número vai crescendo à medida que são, cada vez mais, investigados.

Algumas curiosidades sobre os ursos-de-água

Com origem referida no Pré-Câmbrico (há cerca de 600 milhões de anos), foram descobertos e estudados pela primeira vez em 1773 por um pároco alemão (J. Goeze), que lhe deu o nome fofinho de ursinhos-de-água.

Em 1776, inspirado na forma como estes animais se movimentam, o professor italiano de História Natural (Lazzaro Spallanzani) atribui-lhes o nome tardígrado (do latim tardus = lento + gradus = passo), sem nada a ver, portanto, com qualquer família do Game of Thrones.

Podem encontrar-se em praticamente todo o mundo, inclusive onde as condições de vida são muito adversas – de regiões secas a florestas húmidas, montanhas altas e à Antártida. Colonizaram todos os tipos de ambientes e há formas marinhas, de água doce, semiaquáticas a terrestres.

Pensa-se que são animais eutélicos, isto é, que crescem sem que haja multiplicação do número de células, mas com o aumento do volume de cada uma delas; é como se engordassem sem olhar a meios.

Não têm aparelho respiratório nem sistema circulatório, mas umas células especiais – os glóbulos cavitares – que desempenham estas funções.

Por outro lado, possuem um aparelho digestivo completo com uma região bucofaríngea sugadora única, muitíssimo complexa e assustadora – basta imaginarmos o animal do tamanho de um melão!

A sua vida sexual é digna de uma novela, havendo gostos para tudo! A sério, a sua reprodução é fascinante pelo facto de haver formas dioicas – isto é, em que há sexos separados –, mas também  formas hermafroditas (estilo “faça o amor consigo”) – que se autofecundam – e formas partenogenéticas, que produzem ovos que não são fecundados (não há machos) e que originam novas fêmeas.

Mas de onde vem a graça dos tardígrados?

Negligenciados no passado por serem, aparentemente, animais destituídos de interesse económico, sendo, contudo, um grupo muito enigmático devido às suas particularidades fisiológicas, a investigação sobre a sua biologia atualmente está a seguir caminhos muito interessantes pelo facto de os tardígrados possuírem capacidades únicas, como os super-heróis. Por exemplo:

  • –  Reparação do ADN, com elevado potencial de aplicação em investigação médica e biotecnológica (em questões de envelhecimento e oncologia);
  • – Num recente estudo (publicado na Scientific Reports), investigadores sublinham que os tardígrados estão preparados para sobreviver a qualquer desastre natural, literalmente, e, de entre os animais vivos, serão os últimos a perecer antes de o Sol aniquilar a Terra – daqui a biliões de anos!
  • – De referir, ainda, a sua recente utilização pela Agência Espacial Europeia. No âmbito do projecto TARDIS (TARDigrades In Space) e TARSE (TArdigrade Resistance to Space Effects), os tardígrados participaram em várias missões, foram submetidos a experiências sobre a sobrevivência em condições extremas, em espaço aberto, tendo suportado o vácuo, raios cósmicos e radiações ultravioletas mil vezes superiores às da Terra!

São fascinantes, não são? Partilhe esta informação que os ursos-de-água agradecem!

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