Investigadores australianos descobriram recentemente uma forma de converter dióxido de carbono em carbono sólido, que posteriormente pode ser transformado noutros produtos ou armazenado em segurança. A técnica oferece uma maneira inovadora de lidar com as emissões das indústrias pesadas como siderurgia, cimenteira entre outras.
Mesmo com o crescimento ao nível mundial da produção de energia renovável, a dependência de combustíveis fósseis, emissores de carbono, continuará provavelmente por mais algumas décadas. Além disso, a química intrínseca de certos processos industriais, como os usados na fabricação de cimento, também cria emissões elevadas de dióxido de carbono, dificultando a descarbonização dessas indústrias.
Vários projetos comerciais de captura de carbono estão em curso em todo o mundo, a par de projetos de demonstração da sua viabilidade, mas a grande maioria depende da injeção do dióxido de carbono capturado no subsolo em formações geológicas e sujeito a vazamentos.
Para transformar o dióxido de carbono em sólido, em vez de o recolher do subsolo como gás ou líquido, o novo método baseia-se numa reação química entre este gás com efeito de estufa e uma liga metálica que permanece líquida à temperatura ambiente. É uma reação em que o metal líquido num tubo é aquecido até 100 °C ou 120 °C onde é injetado dióxido de carbono. À medida que o gás reage, em segundos, divide-se em carbono e oxigénio, formando flocos de carbono preto.
O oxigénio reage com o metal para formar óxido metálico, que pode ser regenerado em metal líquido para reutilização. O processo consome muita energia, mas faz sentido tendo em conta que esta técnica é adaptável para aplicação industrial em larga escala.
Além disso, esta técnica usa metais relativamente comuns na crosta terrestre e pode ser um investimento atraente para as indústrias gerando carbono útil.
Segundo os autores o “carbono sólido é um produto valioso por ter muitas aplicações. Considerando as grandes quantidades que esperamos produzir, estamos a tentar integrar o carbono em materiais de construção. Também poderá servir como ponto de partida para a sintetização de uma ampla gama de produtos químicos.”
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