Ser sustentável e ecológico, além de ser a frase da moda, deve ser um comportamento a adotar por todos e a ensinar aos mais novos.
Mas será que todos podemos e conseguimos fazer isto?
É preciso comprar menos, aproveitar ao máximo o que já se tem e tentar reaproveitar coisas que, de outra forma, se deitariam fora. Leve almoço para o trabalho, para a escola, etc., evitando comprar alimentos previamente embalados ou com embalagem descartável.
Porque nem sempre é fácil saber por onde começar, deixamos-lhe 10 propostas para o ajudar a mudar o seu comportamento.
1. Compre menos laticínios
A produção de produtos lácteos para o consumo humano na sociedade atual resulta da exploração agropecuária intensiva cuja emissão de gases com efeito de estufa é significativa. Ao diminuirmos o consumo destes produtos estamos, indiretamente, a reduzir a emissão daqueles gases.
Se não é fácil retirar estes alimentos da nossa dieta – não podemos negar a facilidade de transportar um iogurte ou um pacote de leite achocolatado para beber durante o recreio na escola –, também não podemos abandonar a tradição nacional de produção queijeira, da serra da Estrela aos Açores, sem esquecer o Alentejo e a região saloia. O que podemos começar por fazer, no sentido da mudança de comportamentos, pode passar por reduzir o consumo diário destes alimentos.
2. Prefira alimentos de produção local
É fácil dizer, mas menos conseguir fazê-lo, principalmente a quem vive nas grandes cidades, longe das zonas produtoras e fornecidas essencialmente por grandes empresas grossistas de distribuição de alimentos, como as cadeias de supermercados.
Alternativamente, optar por apoiar o comércio local pode ser um começo. Na maioria dos casos, a pegada de carbono dos produtos vendidos nestes espaços é significativamente menor e o comércio local tende a usar menos plástico do que as grandes superfícies. Além disso, se dá importância à origem de seus alimentos, é muito mais fácil saber junto das empresas locais onde pequenos produtores que façam venda direta.
Não tenha medo de fazer perguntas e pesquisar.
3. Opte por produtos com menores pegadas de carbono
A pegada de carbono é definida como o total de emissões necessárias para produzir determinados bens e serviços. Nesta definição incluem-se também as emissões diretas, como as que resultam da combustão de combustíveis fósseis na fabricação, aquecimento e transporte.
Uma das formas de diminuir esta pegada é comprar alimentos nacionais, evitando os importados e normalmente transportados de avião (uma grande fonte de emissões de gases com efeito de estufa), e a granel rejeitando os embalados. Há cada vez mais lojas onde é possível comprar a granel cereais e leguminosas, que se podem transportar em embalagens que se levam de casa.
Quanto aos produtos exóticos, oriundos de paragens distantes, evite consumi-los diariamente e faça-o apenas em datas especiais.
4. Evitar o desperdício de alimentos
O desperdício de alimentos não deve ser evitado apenas porque há ainda populações no mundo com graves carências alimentares, mas porque ao deitar fora alimentos se está a desperdiçar toda a energia e as matérias-primas usadas na sua produção.
Se sobrou carne do assado de domingo, guarde os restos e faça um empadão um dia destes. Cozinhou para 10 pessoas e só jantaram 4: congele o que sobrou e terá o trabalho facilitado durante a semana.
5. Produza menos lixo e deite menos fora
Fazer menos lixo é fácil se substituir os itens descartáveis por outros duradouros. Evite os guardanapos de papel e substitua-os pelos de pano que tem guardados e nunca usa. Deixe de recorrer a papel de cozinha substituindo-os pelos tradicionais panos de cozinha, pois são laváveis e pode usá-los vezes sem conta. À refeição não se esqueça de preferir copos e garrafas vidro em vez dos de plástico. A sua mesa até vai ficar mais elegante.
6. Recicle e reutilize, promovendo o uso de roupa em segunda mão
As lojas de roupa em segunda mão estão hoje por toda a parte, mas se não gosta de usar roupa que outras pessoas vestiram não se preocupe. Procure no seu armário aquelas peças que já não se usam ou que deixaram de lhe servir quando fez dieta e converta-as em novas peças.
Se tem miúdos pode usar a roupa dos mais velhos ou trocá-la com algum familiar.
7. Evite secar a roupa na máquina
Quem tem miúdos tem o drama da roupa que no inverno pode ser especialmente trabalhoso. As lojas com máquinas de lavar e secar automáticas são uma grande tentação quando a roupa se acumula e não há sol para a secar, mas esse tempo já lá vai. Com a primavera em pleno e o sol a brilhar no céu, use o estendal e dê descanso à máquina de secar, vai ver a diferença na conta da eletricidade.
8. Isole a sua casa e diminua o consumo energético
A maioria das casas em Portugal são quentes no verão e frias no inverno e grande parte do consumo de eletricidade tem a ver com o aquecimento.
Isolar a casa começa por vedar portas e janelas e não por construir com materiais reciclados. Recorrendo a rolos feitos em casa ou a materiais à venda em lojas da especialidade, como fitas isoladoras e rolos vedantes para poderá impedir a entrada do ar frio.
No verão o cuidado já não é para evitar o frio, mas para impedir que o calor lhe invada a casa e o faça ligar o ar condicionado. Para isso, durante o dia e nas horas de maior calor, mantenha os estores corridos e a casa escura, abrindo só quando cair o dia e a temperatura baixar.
Os frigoríficos e as arcas também devem ser inspecionados regularmente. As borrachas em bom estado evitam desperdícios de energia, em geral. No verão evite abrir desnecessariamente o frigorífico e certifique-se de que o equipamento está numa zona protegida do sol, o que o obrigará a gastar mais energia para manter a mesma temperatura de conservação.
Por último, certifique-se igualmente de desligar a fonte de alimentação de aparelhos controlados por controlo remoto, como televisões, leitores de DVD, etc., não deixe acesa a iluminação das divisões onde não está e, sempre que possível, use lâmpadas de baixo consumo.
9. Caminhe e ande de bicicleta em pequenas distâncias
Felizmente, ser frugal e amigo do ambiente muitas vezes andam juntos, especialmente no que diz respeito a viagens. Se para se deslocar tiver de caminhar meia hora, não hesite, vá a pé! Economiza algum dinheiro, pratica exercício e mantém-se ativo fazendo a sua parte pelo meio ambiente.
Muitas cidades já têm redes de partilha e de aluguer de bicicletas e trotinetas
Andar de bicicleta também é uma ótima maneira de se deslocar, especialmente quando a maioria das cidades já tem pistas para ciclistas.
10. Use os transportes públicos ou evite andar sozinho de carro
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Nas ocasiões em que tiver mesmo de recorrer ao automóvel, aposte na partilha. Dividir despesas com mais um passageiro é o bastante para economizar em combustível e salvar os recursos do planeta.
Se quiser aumentar o desafio, aos fins de semana, feriados e férias escolha locais acessíveis por autocarro ou comboio e evite usar o avião…
Com o aquecimento global a acontecer muito mais depressa do que esperado, implementar algumas destas sugestões pode fazer a diferença. Mesmo que seja apenas uma seleção das coisas que se encaixam melhor no seu estilo de vida!
Ser sustentável e ecológico, além de ser a frase da moda, deve ser um comportamento a adotar por todos e a ensinar aos mais novos. Mas será que todos podemos […]
“Investir no Planeta!” no dia mundial da Terra
“Investir no planeta” é o tema escolhido para as comemorações do ano 2022, que alerta para a importância de se mudar as estratégias políticas e empresariais, no sentido de se tomarem medidas que possam minimizar os problemas relacionados com o clima. A ONU refere em comunicado que “as alterações climáticas representam o maior desafio para o futuro da humanidade e para os sistemas de que depende a vida e que tornam o nosso planeta habitável”.
Por isso esta data é importante para avaliarmos a nossa relação com o planeta e como podemos reduzir os impactos negativos que nele produzimos.
Origem da comemoração
O Dia da Terra, Dia do Planeta Terra ou Dia da Mãe Terra é comemorado a 22 de abril desde 1970. Promovida pela primeira vez pelo senador norte-americano Gaylord Nelson (1916-2005), a iniciativa consistiu na organização de um fórum ambiental que envolveu cerca de 20 milhões de participantes. A organização deste evento foi uma resposta ativa aos problemas ambientais como a poluição, principalmente devido aos derrames de petróleo.
O que podemos fazer pelo nosso planeta?
Mudar o mundo depende de cada um de nós! Por isso, o Dia Mundial da Terra é dedicado à consciência, mas também a pequenos gestos que todos podemos fazer para tornar o planeta ambientalmente mais sustentável. Sugerimos algumas opções sustentáveis para melhorar a pegada ecológica:
reduzir o consumo de bens alimentares, roupa e energia;
evitar o desperdício;
reutilizar tudo o que for possível;
reciclar;
aderir à compostagem;
optar por lâmpadas LED;
evitar materiais plásticos;
utilizar transportes públicos ou optar por veículos não poluentes, como por exemplo a bicicleta.
“Investir no planeta” é o tema escolhido para as comemorações do ano 2022, que alerta para a importância de se mudar as estratégias políticas e empresariais, no sentido de se […]
Vida selvagem e energias renováveis
Um futuro com baixos níveis de carbono implica muitos painéis solares e muitas turbinas eólicas. O que levanta a questão: onde os vamos pôr?
Com a população humana em curva ascendente a ocupar grande parte dos espaços naturais, a procura de habitação, de alimentação e outros bens, acrescida do esforço para deixar os combustíveis fósseis substituindo-os por eletricidade renovável são um conjunto de fatores preocupantes. A estes acresce o facto de os parques de painéis solares e de turbinas eólicas poderem ocupar importantes habitats de vida selvagem, ainda que os ambientalistas tentem aumentar as reservas naturais.
Novos estudos sugerem que, em grande parte do mundo, as pessoas não vão ter de escolher entre a vida selvagem e a energia limpa, pelo menos nas próximas décadas.
“Se formos cuidadosos, deve ser possível aumentar as instalações eólicas e solares, globalmente, sem prejudicar os esforços para conservar a biodiversidade”, afirmou Felix Eigenbrod, ecologista da Universidade de Southampton, no Reino Unido, que esteve envolvido num estudo recente.
À medida que aumenta a pressão para reduzir a zero a emissão de gases com efeito estufa até meados do século, evitando os piores efeitos das alterações climáticas, segundo a Agência Internacional de Energia, a quantidade de infraestruturas de energia renovável necessárias para atingir o objetivo é impressionante. Comparado com 2020 – ano-recorde em novas instalações eólicas e solares – pode quadruplicar a nova capacidade anual, o equivalente a construir a maior instalação solar atual todos os dias.
Que a extração de combustíveis fósseis afeta a paisagem é fácil de perceber, por exemplo, pela devastação causada pela mineração de petróleo de areias encharcadas em alcatrão no Norte do Canadá, mas tem a vantagem de produzir energia de forma muito mais concentrada. Carvão e gás podem gerar até 2.000 watts de energia para cada metro quadrado de terra, enquanto as energias renováveis atingem apenas uma fração deste valor – cerca de 10 watts por metro quadrado para energia solar concentrada, onde os painéis focam a luz num recipiente de alta temperatura fluido.
Os cientistas alertaram para o facto de a corrida às energias renováveis poder pôr em risco o habitat vital, embora ainda não se saiba ao certo como, porque depende de onde os parques solares e eólicos forem construídos. Para ter uma visão mais clara do que reserva o futuro, Felix Eigenbrod e outros investigadores tentaram construir um modelo informático com âmbito sobre grande parte do planeta, criando uma base de dados com 24.600 locais de energia eólica e solar existentes em 153 países (no solo). Esses dados foram usados para prever a localização de futuros projetos de energia tendo por base as características das atuais instalações, comparando-os com mapas de áreas protegidas existentes e de locais prioritários para proteção futura.
Segundo os resultados obtidos, nas próximas décadas muitas zonas do mundo não teriam um aumento de conflitos entre habitats a proteger e novas infraestruturas de energias renováveis, afirmaram os cientistas no Proceedings of the National Academy of Sciences, ao descobriram que, atualmente, aproximadamente 15% dos parques eólicos e solares se sobrepõem a importantes áreas de conservação. No futuro próximo, cerca 20 anos, a previsão dos investigadores identifica um número limitado de locais onde o habitat e a produção de energia renovável se sobrepõem, nomeadamente, na América do Norte, América do Sul, Sul da Ásia, Leste da Ásia e Rússia.
Sebastian Dunnett, que liderou a pesquisa em Southampton, afirmou que os resultados são “realmente encorajadores para enfrentar a emergência ecológica”. “Se pudermos expandir a implementação de uma parte importante da solução climática – energia eólica e solar – sem prejudicar os esforços de conservação da biodiversidade, este será um grande passo na direção certa.”
No entanto nem tudo é positivo. O Médio Oriente, o Centro e o Norte da Europa destacaram-se por terem um potencial de conflito (preservação do habitat+produção eólica e solar) acima da média. O estudo não incluiu a América Central, Austrália, o Sudeste da Ásia nem África porque a baixa densidade de projetos renováveis dificultava a elaboração do modelo. Como os autores observam no artigo, “o cuidadoso estabelecimento de zonas do uso da terra ainda é muito necessário”.
Um futuro com baixos níveis de carbono implica muitos painéis solares e muitas turbinas eólicas. O que levanta a questão: onde os vamos pôr? Com a população humana em curva […]
Discutir a Justiça Climática na sala de aula?
O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, mais conhecido por IPCC — Intergovernmental Panel on Climate Change, é uma organização político-científica criada em 1988, no âmbito das Nações Unidas, por iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da Organização Meteorológica Mundial. Nos dois últimos relatórios desta organização foi realçado o papel da ação humana na intensificação do aquecimento global do planeta e das consequências que já se fazem sentir por todo o lado.
No entanto, definitivamente, as populações não sofrem os impactos de forma equitativa, e dependendo de fatores como a localização geográfica e indicadores socioeconómicos, entre outros, é necessário trazer ao debate conceitos como “injustiça climática” e “racismo ambiental”, pois as populações mais vulneráveis e oprimidas são as mais afetadas, sendo igualmente as que menos contribuíram com o problema e as que têm menor representatividade na discussão de soluções e políticas públicas.
Cresce aos poucos junto dos meios de comunicação, da comunidade cientifica e até na última COP realizada em Glasgow, a necessidade de destacarmos estas designações e uma forma de inseri-las e torna-las abrangentes é contar com a “escola”, como aliada, pois alunos e professores são fundamentais no combate e no apelo à ação climática, acompanhando e inserindo o debate nas suas atividades, projetos e ações escolares.
Dependente sempre do contexto e faixa etária da sala de aula, é possível promover-se trabalhos práticos de sensibilização e consciencialização sobre o tema da justiça climática na escola.
Como fazê-lo?
O ideal era formar os professores, dando-lhe acesso a informação e meios…
Estudar, conversar e trabalhar em grupo sobre o tema
É essencial investigar e trocar ideias com outros professores sobre o assunto. Proponha grupos de estudos, leitura de livros e artigos, sessões de diálogo e convide um especialista para conversar com o grupo, por exemplo através de associações ambientalistas locais ou de âmbito nacional.
Conhecer e apresentar outras lideranças climáticas, dando-lhes a conhecer outras histórias
Os jovens e as crianças precisam de conhecer e de ter outras referências além da Greta Thunberg. Líderes pretos, asiáticos, indígenas etc., e breves resumos históricos ajudam a consolidar o conhecimento e a representatividade nos grupos escolares.
Partilhar histórias de comunidades e pessoas cujas vidas sofreram com os impactos da ação climática, com nomes e rostos sensibiliza e cria mais empatia.
Fotografias e Vídeos
A analise de imagens e vídeos promove o debate e sensibiliza, dando lugar a diferentes interpretações e pontos de vista. Observar fotos de eventos climáticos extremos ou até de bairros em extremas condições de poluição e pobreza, ajuda a promover reflexões sobre o que tais comunidades têm em comum.
Jogos e dramatização de papéis
Atribuir papéis representando comunidades e/ou países numa mesa de negociações com os povos da Terra, pode ser uma atividade rica para o debate sobre justiça climática. Por exemplo: Como seria estar numa futura COP 27 como representante de uma ilha do Pacífico que pode desaparecer do mapa com o aumento do nível das águas/dos oceanos?
Dar a conhecer movimentos e grupos, nacionais e internacionais
Fornecer links de sites e de páginas nas redes sociais que estimulem os alunos a se ligarem a grupos e comunidades em que se discuta e lute por justiça climática, pode ser também um caminho para o envolvimento dos alunos.
Dadas as condições do ensino em Portugal, tratar este tema poderá ser complexo numa sala de aula, mas não se pode falar de ambiente sem trazer a discussão a justiça social e o fim das desigualdades e opressões. Afinal, tal como disse Robert Gilman*, “não há problemas ambientais, há apenas sintomas ambientais de problemas humanos”.
*Robert C. Gilman é um pioneiro em sustentabilidade, destacando-se a sua pesquisa sobre o movimento de ecovilas, isto é, pequenas comunidades autossuficientes que vivem no e para o meio natural. Crescem sobretudo em áreas rurais cujos habitantes constroem sociedades baseadas na cooperação, no autoconsumo, nas energias renováveis e nos materiais ecológicos. Estima-se que existam cerca de 10.000 em todo o planeta.
O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, mais conhecido por IPCC — Intergovernmental Panel on Climate Change, é uma organização político-científica criada em 1988, no âmbito das Nações Unidas, por iniciativa […]
Porto Santo faz recolha de embalagens PET
A ilha de Porto Santo – a mais recente Reserva de Biosfera da UNESCO –, na Madeira, tem a primeira máquina para recolha de embalagens de plástico PET com um sistema pioneiro, em que as recompensas são totalmente financiadas por estabelecimentos comerciais, sem incentivos do Estado.
Financiado pelo Programa Ambiente do Fundo EEA Grants, o equipamento foi instalado na ilha ao abrigo do projeto ‘Porto Santo sem Lixo Marinho’, permite que os utilizadores recebam vales de desconto quando nela colocam embalagens PET, que poderão ser descontar nos estabelecimentos aderentes
No total são 37 entidades de comércio e restauração aderentes à iniciativa, que procura testar novos modelos de incentivo aos sistemas de tara recuperável, na tentativa de ultrapassar quebras na adesão verificadas em vários modelos nacionais, uma vez terminados os contratos de financiamento pelo Estado.
Para além da máquina para recolha de embalagens PET, várias ações de sensibilização da população do Porto Santo têm sido realizadas , tendo sido também definido um Plano de Gestão Comunitário, em curso até 2025 e que tem sido determinante na definição e no acompanhamento da gestão e redução do lixo marinho originado na ilha do Porto Santo.
A ilha de Porto Santo – a mais recente Reserva de Biosfera da UNESCO –, na Madeira, tem a primeira máquina para recolha de embalagens de plástico PET com um […]
Reduzir as emissões através dos alimentos que consumimos
Publicado no Environmental Science & Technology, um estudo recente apresenta uma análise completa do ciclo de vida de 83 itens de mercearia comuns, comprados ao longo de um ano por mais de 57.000 famílias nos Estados Unidos. A análise altamente detalhada destacou os pontos críticos de emissões de carbono ao longo da cadeia de abastecimento e revelou onde estão as maiores oportunidades para reduzir a pegada de carbono.
Esta informação permitiu identificação de uma série de pequenos passos para as famílias, além de ser possível uma transição dramática para dietas vegetarianas e veganas.
Uma das principais conclusões do trabalho mostra que (individualmente ou em família de duas pessoas) se houver uma limitação do que se compra, com vista à redução do consumo e do desperdício, serão alcançados dois terços do potencial de redução de emissões que este estudo calculou ser possível. Outro ponto de destaque do estudo é a grande pegada de carbono gerada por alimentos pré-confecionados, snacks e bebidas, que geralmente também apresentam menores benefícios nutricionais, mas são adquiridos em quantidade produzindo uma grande pegada.
O estudo aponta que, se as famílias reduzissem a ingestão de alimentos pré-peparados, se poderia reduzir a pegada de carbono numa parcela potencialmente maior do que a que se alcançaria mudando para uma dieta a base de vegetais.
Finalmente, reconfigurar as dietas para conter mais alimentos “recomendados”, como grãos e vegetais, em vez de alimentos “não recomendados”, como carne e laticínios, pode reduzir a pegada das famílias em até 29%. De uma forma geral, estas opções de redução da pegada podem permitir que 71% das famílias (dos EUA, onde foi realizado o estudo) reduzam significativamente a sua pegada de carbono.
As famílias podem ser um foco da mudança ambiental e da ação climática ativa, havendo caminhos para alcançá-la e promovê-la, seja através da educação das crianças sobre as origens dos alimentos quer consomem, seja fazendo pequenas mudanças naquilo que compramos.
Vamos agir?
Publicado no Environmental Science & Technology, um estudo recente apresenta uma análise completa do ciclo de vida de 83 itens de mercearia comuns, comprados ao longo de um ano por […]
Rinoceronte-negro contraria a extinção
Um jardim zoológico checo assistiu ao nascimento de um bebé rinoceronte-negro oriental (Dicercs bicornis longipes) e decidiu batizá-lo como Kyiv, nome original da capital da Ucrânia, em homenagem à resistência daquele país à invasão das forças russas.
O pequeno macho nasceu no início de março no Dvur Kralove Zoo. Segundo o diretor daquele espaço, citado pela Associated Press, o “nome é uma forma de expressar apoio aos ucranianos”.
Apesar do nome, apresenta uma coloração cinzento-acastanhada
A mãe de Kyiv, Eva, cuida da sua cria da melhor maneira possível, segundo informações do zoo, estando o bebé a ganhar um quilo por dia e pesando já cerca de 50 kg.
O Dvur Kralove Zoo tem 14 exemplares desta espécie, havendo apenas três outros rinocerontes deste tipo nascidos em jardins zoológicos em todo o mundo, durante 2021.
Segundo o site The Sixth Extinction esta espécie de rinoceronte – nativa do Leste, Sul e Centro da África, nomeadamente no Quénia, Tanzânia, Camarões, África do Sul, Namíbia, Zimbabwe e Angola – não é avistada desde 2006. Pelos registos da União Internacional para a Conservação da Natureza a subespécie do rinoceronte-negro está classificada como extinta (na natureza) desde 2011.
Um jardim zoológico checo assistiu ao nascimento de um bebé rinoceronte-negro oriental (Dicercs bicornis longipes) e decidiu batizá-lo como Kyiv, nome original da capital da Ucrânia, em homenagem à resistência […]
Sabe o que são PANC?
Imagine todas as plantas comestíveis que existem. Dessas conhecemos, produzimos e comemos diariamente uma pequena parcela, as chamadas plantas alimentícias convencionais. As que não conhecemos, que não produzimos ou que pouco consumimos são conhecidas como Plantas Alimentícias Não Convencionais, ou PANC. O que, por outras palavras, significa “todas as plantas que podíamos consumir, mas não consumimos”. No fundo as PANC são as plantas silvestres comestíveis. Como as beldroegas ou as urtigas usadas na gastronomia alentejana, por exemplo.
Apesar de pouco conhecidas, as PANC – termo criado pelo biólogo Valdely Kinupp – representam um mundo de sabores, propriedades e texturas por explorar. Em Portugal, a designação refere-se às plantas silvestres com valor medicinal e/ou comestíveis.
O termo alimentícias designa plantas usadas na alimentação, como verduras, hortaliça, fruta, frutos secos, cereais e até condimentos e corantes naturais. Não Convencionais são as que não produzimos ou comercializamos em grande escala, cujo cultivo e uso pode cair no esquecimento. Muitas plantas estão esquecidas e deixam de ser vistas como alimento, daí que voltar a consumi-las é uma forma de evitar que desapareçam da natureza e de valorizar as culturas alimentares em que estão presentes.
A natureza oferece-nos plantas comestíveis em abundância, estimando-se que haja 30.000 espécies com potencial alimentar, 12.500 estão catalogadas e dessas 7.000 foram usadas ao longa da história da evolução humana. Contudo, atualmente, 90% da alimentação mundial tem por base apenas 20 espécies.
Uma mesma planta pode ser considerada convencional numa região e não convencional noutra. Com o passar do tempo, dependendo de o seu uso ser resgatado e ou propagado, tal planta passará a ser convencional, sendo reconhecida, produzida, comercializada e fazendo parte do dia a dia de uma população. As folhas, os tubérculos e as raízes de algumas espécies não convencionais podem ser usadas como alternativa alimentar, promovendo o aproveitamento integral dos alimentos. Também são designadas PANC as partes comestíveis usualmente não consumidas de plantas convencionais, como as folhas e os talos da cenoura, beterraba, couve-flor e batata-doce, por exemplo.
As PANC podem ser plantas mais resistentes e adaptadas a lugares onde as convencionais não prosperam. Algumas são espontâneas outras são cultivadas, exigindo menor dedicação e tendo grande adaptabilidade aos diversos tipos de solo. Em geral, as PANC têm um alto valor nutricional, tendo algumas, inclusivamente, valor medicinal ou terapêutico e sendo usadas como “mezinhas” de acordo com a tradição popular.
Muitas espécies de plantas são denominadas invasoras ou simplesmente ervas daninhas, sendo menosprezadas pela maioria da população desconhecedora do seu valor nutricional, ecológico e económico. Estas plantas podem facilmente ser encontradas na natureza, promovendo o retorno da biodiversidade ao consumo humano, pois, apesar de serem comuns, têm valores nutricionais pouco conhecidos por falta de conhecimento e de estudo.
No que diz respeito à história da alimentação humana, as plantas alimentícias não convencionais eram consumidas por gerações anteriores. A limitação a um pequeno número destas plantas na dieta contemporânea deve-se, essencialmente, ao afastamento da agricultura convencional. Embora não integrem a dieta de grande parte da população, as plantas são elementos primordiais em qualquer ecossistema e representam 80% da alimentação humana. As centenas de espécies de plantas comestíveis pouco conhecidas têm elevado valor nutricional e propriedades únicas, mas só um número muito reduzido faz parte da dieta humana.
Recentemente os recursos alimentares silvestres têm atraído o interesse do consumidor pelo valor nutricional que lhes é reconhecido, pela importância que detêm na identidade gastronómica local, bem como pela necessidade de diversificar a alimentação, descobrindo alimentos com novas cores, paladares e texturas. Em relação aos alimentos e à sua disponibilização, a Humanidade depara-se agora com o desafio de alimentar milhões de pessoas, garantindo a sua segurança e soberania alimentar. Mas os alimentos continuam a ser produzidos em grandes quantidades, para manter a população mundial, sendo atualmente o problema a qualidade e não a quantidade e o acesso à alimentação.
O aumento drástico do preço dos alimentos, as catástrofes ambientais, a desigualdade na distribuição de rendimento, as crises económicas e políticas, o desperdício de alimentos em países desenvolvidos e a falta deles em países em desenvolvimento são fatores que têm contribuído para agravar a problemática. Segundo a FAO, até 2050 a população mundial será superior a 9,1 biliões de pessoas. Pelo que se espera que, até meados deste século, seja necessário aumentar em 70% a produção alimentar para dar resposta ao previsível aumento da procura. Este aumento da produção não garantirá a segurança alimentar se não houver outras soluções.
Segundo o relatório “Creating a Sustainable Food Future” (ver abaixo), com o aumento da população previsto para 2050, o risco de insegurança alimentar é alarmante. Por isso a solução não deve passar apenas pelo aumento da produção, mas pela redução dos impactos ambientais gerados pela agricultura industrial, intensiva, responsável por grande parte da emissão de gases com efeito de estufa, que tanto contribuem para as alterações climáticas.
Recorrer às plantas silvestres pode ser uma solução para o futuro e com futuro! O que lhe parece?
Imagine todas as plantas comestíveis que existem. Dessas conhecemos, produzimos e comemos diariamente uma pequena parcela, as chamadas plantas alimentícias convencionais. As que não conhecemos, que não produzimos ou que […]
Dieta Mediterrânica à portuguesa
Quando se fala de dieta tendemos a associar a emagrecimento, à ingestão de baixas quantidades de calorias e a uma seleção rigorosa de alimentos a consumir, em que não entram coisas como manteiga, massa, molhos ou batatas fritas. A Dieta Mediterrânea não é nada disso! É uma forma de vida, um lifestyle em harmonia com o corpo, com os nossos semelhantes, e, acima de tudo, numa boa relação com a natureza.
Foi em 2010 que Food and Agriculture Organization (FAO), das Nações Unidas, apresentou o conceito de dietas sustentáveis e considerou a Dieta Mediterrânica “amiga do ambiente”, resiliente às alterações climáticas e um bom exemplo de dieta sustentável.
No mesmo ano foi considerada, pela UNESCO, Património Imaterial da Humanidade enquanto estilo de vida, embora não exista uma única dieta mediterrânica, mas numerosas variações adaptadas à cultura dos países da bacia do Mediterrâneo.
Os portugueses estão sempre à mesa
Em Portugal, quando nos sentamos à mesa não o fazemos apenas para comer mas para comer juntos. Nesta atividade de sustento básico, mas muito social, temos particularidades interessantes que vale a pena sublinhar:
FRUGALIDADE E COZINHA SIMPLES com base em preparados que protegem os nutrientes, como as sopas, os cozidos, os ensopados e as caldeiradas;
ELEVADO CONSUMO DE PRODUTOS VEGETAIS, EM DETRIMENTO DO CONSUMO DE ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL, especialmente produtos hortícolas, fruta, pão de qualidade e cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas, frutos secos e oleaginosas;
CONSUMO DE PRODUTOS VEGETAIS PRODUZIDOS LOCALMENTE, FRESCOS E DA ÉPOCA;
RECURSO AO AZEITE como principal fonte de gordura;
INGESTÃO MODERADA DE LATICÍNIOS;
UTILIZAÇÃO DE ERVAS AROMÁTICAS para temperar substituindo o sal;
CONSUMO FREQUENTE DE PESCADO e mais raro de carnes vermelhas;
BAIXO A MODERADO CONSUMO DE VINHO e só às refeições principais;
ÁGUA COMO PRINCIPAL BEBIDA ao longo do dia;
CONVÍVIO À VOLTA DA MESA.
Estas características promovem a sustentabilidade e têm um impacto ambiental reduzido, maioritariamente pelo maior consumo de produtos de origem vegetal, por comparação com padrões alimentares como a dieta ocidental. Embora haja uma aproximação à dieta de estilo ocidental, impulsionada pela globalização da produção e do consumo alimentar, com efeitos adversos de excesso de peso e obesidade, entre outros, por cá ainda mantemos boa parte da Dieta Mediterrânica, recorrendo essencialmente a alimentos de origem vegetal, azeite, quantidades moderadas de peixe, ovos e laticínios, consumindo vinho tinto às principais refeições.
Quando se fala de dieta tendemos a associar a emagrecimento, à ingestão de baixas quantidades de calorias e a uma seleção rigorosa de alimentos a consumir, em que não entram […]
Ficha Técnica e Estatuto Editorial
Ecossustentável Magazine — Revista online especializada em estilos de vida sustentáveis e ambiente.
A Ecossustentável Magazine (e-Magazine) é uma publicação online, semanal, dedicada à divulgação de informação cientifica especializada em ambiente e sustentabilidade. Fazemos artigos e conteúdos dedicados à sensibilização do público em geral, sobre os grandes desafios ambientais e sociais da época em que vivemos, especialmente decorrente da situação de emergência climática, da necessidade de alterarmos comportamentos de consumo e modos de vida. Promovemos o desenvolvimento saudável, harmonioso da sociedade e da salvaguarda dos valores naturais, da tomada de eco consciência e da plenitude da espécie humana integrada e enquanto “filhos da Terra”.
Desafiamos personalidades que admiramos, a expressarem a sua opinião e procuramos divulgar exemplos e estilos de vida ecossustentáveis e inspiradores, acreditamos no poder da comunidade, da discussão das ideias e de práticas e aspiramos ser uma referencia enquanto plataforma de conhecimento e trabalho em prol do bem comum.
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