Mais de 30 anos de investigação nas florestas do Canadá levaram a uma descoberta surpreendente – as árvores falam entre si e a grandes distâncias.
Como os seres humanos, as árvores são criaturas extremamente sociais e totalmente dependentes uma das outras para sobreviverem. Como na sociedade humana, a comunicação é um fator essencial na relação de sobrevivência entre espécies. Comunicando através do micélio (os filamentos que constituem a parte vegetativa dos fungos), enviam informações preciosas a outras árvores e espécies. Transmitem mensagens secretas entre árvores, desencadeando a partilha de nutrientes e água com as espécies que deles precisam.
Os cientistas já tinham descoberto, em laboratório, que as raízes dos pinheiros podiam transferir carbono para outras raízes de pinheiro. Depois deste teste in vitro, Suzanne Simard decidiu investigar como se processaria na floresta, se as árvores também mantinham esta relação de colaboração na natureza.
A ideia de que as árvores podem partilhar informações subterrâneas é controversa e na década de 90, depois de obter financiamento para continuar a sua investigação, a professora Simard realizou uma experiência que resultou numa revelação inovadora: as árvores são seres cooperantes, ao contrário do que se pensava no passado, quando se assumia que as espécies competiam umas com as outras por carbono, luz solar, água e nutrientes.
Simrad descobriu que a enorme rede emaranhada de micorriza (raízes de cogumelos) formam uma teia complexa de informação, que permite a transmissão de mensagens importantes entre árvores da mesma espécie e com espécies relacionadas, como se a floresta fosse “um só organismo“.
As árvores comunicam enviando sinais químicos e hormonais através do micélio, para determinar que árvores precisam de mais carbono, nitrogénio, fósforo e carbono, e que árvores têm de economizar, enviando estes elementos de um lado para o outro até a floresta se equilibrar. A investigadora defende que esta teia de comunicação é tão densa que pode haver centenas de quilómetros de micélio sob uma única pegada humana.
A rede de micélio conecta as árvores-mães com as árvores-filhas, permitindo alimentar as mais jovens. Uma única árvore-mãe pode fornecer alimento para centenas de árvores menores através da camada de dossel e do sub-bosque, zona que fica abaixo do principal dossel (camada emergente) de uma floresta. As árvores-mães reconhecem o parentesco, criando redes mais densas de micélio, enviando mais carbono e nutrientes e reduzindo a dimensão das suas raízes para dar espaço às mais novas.
Esta nova compreensão científica de comunicação entre as árvores tem implicações importantes para os seres humanos. Por exemplo, quando as árvores-mães estão feridas ou a morrer, enviam o seu conhecimento – “mensagens de sabedoria”– para a geração seguinte. Por isso, sempre que vastas áreas florestais são devastadas, as árvores não podem transmitir essa “sabedoria” que acaba por se perder.
Aconselhamo-lo vivamente a ver o vídeo seguinte:

Se para algumas pessoas esta informação pode ser nova, diversas culturas e povos já intuíam esta forma sofisticada de comunicação da floresta. Povos indígenas e comunidades que vivem mais próximas da terra são unânimes a afirmar que todos os seres estão conectados e que os seres da floresta, como as árvores, conversam entre si!
Aquilo que até ontem era considerado mitologia pode e deve constituir um tesouro de conhecimento a transmitir às gerações mais jovens. Ao distanciarmo-nos da natureza, fomo-nos esquecendo de valorizar a sabedoria primitiva, a intuição e os sentimentos… mesmo quando nos sentimos bem a abraçar uma árvore, por mais ridículo que isso pareça. Sentir e entender que uma floresta é um espaço sofisticado e complexo – talvez para lá da nossa compreensão –, possuidor de muitos mistérios que devem ser respeitados e muita informação por revelar, pode ser o próximo passo para nos reconectarmos.
Mais importante, ao observar os complexos sistemas de interconexão da natureza percebemos que não é através da competição que a evolução acontece, mas pela cooperação. Quem sabe não vamos descobrir, ou comprovar, que todos os seres da Terra estão conectados, não por micélio, mas por “forças” que a ciência ainda não consegue explicar.
O que acontecerá se ousarmos aprender com as árvores?
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